A história das ações começa muito antes dos computadores, dos gráficos ou da Bolsa de Nova Iorque. Na verdade, tem mais de 400 anos.
Antes das ações
Nos séculos XV e XVI, financiar uma viagem marítima era extremamente arriscado. Um navio podia:
Afundar.
Ser atacado por piratas.
Nunca regressar.
Quem investia numa expedição podia perder tudo.
1602: nasce a primeira ação da história
O grande ponto de viragem aconteceu na Holanda.
Em 20 de março de 1602, foi criada a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC – Vereenigde Oostindische Compagnie).
A VOC precisava de muito dinheiro para financiar navios, tripulações e o comércio de especiarias entre a Europa e a Ásia.
Em vez de pedir dinheiro apenas a alguns ricos, fez algo revolucionário:
Dividiu a empresa em pequenas partes (ações) e vendeu essas partes ao público.
Quem comprava uma ação tornava-se proprietário de uma pequena fração da empresa.
Foi também a primeira Oferta Pública Inicial (IPO) da história e deu origem ao primeiro mercado moderno de ações, em Amesterdão.
Antes:
Se querias investir numa viagem, o teu dinheiro ficava preso até ela terminar.
Depois da VOC:
Podias vender a tua participação a outra pessoa quando quisesses.
Nascia assim o mercado secundário, onde investidores compram e vendem ações entre si.
A VOC distribuía parte dos seus lucros aos acionistas.
Ou seja:
A empresa lucrava.
Os investidores recebiam uma parte desse lucro (dividendos).
Se a empresa crescesse, o valor das ações também podia aumentar.
É exatamente o princípio que continua a existir atualmente.
1602 – VOC realiza o primeiro IPO.
Século XVII – Amesterdão torna-se o centro financeiro do mundo.
1792 – Surge o Acordo de Buttonwood, que daria origem à Bolsa de Nova Iorque (NYSE).
Século XIX – A industrialização faz nascer milhares de empresas cotadas.
Século XX – Bolsas tornam-se globais.
Século XXI – As negociações passam a ser quase totalmente eletrônicas e acontecem em milissegundos.
Muitas pessoas pensam que as ações foram criadas para enriquecer os ricos.
Na realidade, a grande inovação foi precisamente a oposta:
Pela primeira vez na história, pessoas comuns podiam juntar o seu dinheiro para financiar grandes empresas e participar nos seus lucros, sem precisarem de possuir navios, fábricas ou minas. Esse conceito continua a ser a base do investimento moderno.
As ações não foram criadas para especular. Foram criadas para permitir que qualquer pessoa pudesse tornar-se sócia de grandes empresas.
A palavra "ação" pode induzir em erro. Em inglês chama-se "share". E "share" significa "parte". Quando compras uma ação, estás a comprar uma parte de uma empresa. Não estás a apostar nela; estás a tornar-te um dos seus proprietários.
O sucesso exige ação. E uma das ações que podes tomar é comprar ações.
A riqueza não nasce da intenção. Nasce da ação. E uma das melhores ações que podes tomar é tornar-te sócio das melhores empresas do mundo.
Toda a riqueza começa com uma ação. A tua pode começar hoje.